Sabe aquela voz que te critica o tempo todo? Ela Mente! Veja o meu guia para parar de acreditar nela.
Você conhece bem essa voz, não conhece?
Ela é aquela voz que sussurra ou grita que você não é boa e está preparada o suficiente. Não satisfeita, ela também é aquela que aponta cada erro como se eles fossem uma catástrofe e minimiza cada conquista como se fosse pura sorte. E sem esquecer de mencionar que ela também te compara incansavelmente com os outros e te deixa exausta, muitas vezes até antes mesmo de o dia começar de verdade.
Se você está lendo isso, a primeira coisa que eu preciso que saiba, do fundo do meu coração profissional, é: você não está sozinha. E a segunda, ainda mais importante: essa voz, por mais real e poderosa que pareça, não é a sua verdadeira identidade.
Ela não é a sua intuição. Não é a “verdade dura” que você precisa ouvir. Ela é um padrão. Um hábito mental antigo e profundamente enraizado que se alimenta da sua ansiedade. E a boa notícia, a notícia que mudou a minha vida e a de tantas mulheres que acompanho, é que, como todo o hábito, ele pode ser compreendido e transformado.
Neste guia, vamos juntas fazer algo bem importante: vamos acender uma luz nesse quarto escuro da sua mente. Vamos entender de onde vem essa voz e dar o primeiríssimo, mas mais poderoso, passo para começar a silenciá-la.
As duas raízes da autocrítica: O cérebro protetor e as vozes que aprendemos
A sua autocrítica não nasce de uma falha de caráter. Ela tem duas raízes profundas: uma na nossa biologia e outra na nossa biografia.
Primeiro, a biologia. O nosso cérebro tem um “viés de negatividade” incorporado, uma herança direta dos nossos antepassados. Para eles, estar hipervigilante aos perigos — um barulho no mato, uma sombra estranha — era a diferença entre viver e morrer. O problema? O seu cérebro de hoje ainda opera com esse mesmo sistema de alarme ancestral. Os tigres desapareceram, mas foram substituídos por novos “perigos”: o medo de falhar numa apresentação, a possibilidade de ser julgada nas redes sociais, o risco de não ser perfeita. É o mesmo sistema, a reagir aos mesmos sinais de ameaça. A voz da autocrítica é, essencialmente, o som deste alarme funcionando em excesso. Não é você que está com defeito; é o seu cérebro usando um software de proteção desatualizado para os desafios do mundo moderno.
Mas essa programação neurológica não opera sozinha. E aqui entra a sua história. Se você cresceu num ambiente onde a crítica era constante — seja dirigida a si ou aos outros — o seu cérebro aprendeu que a crítica era uma forma de “normalidade”. Aquela voz que você ouvia dos seus pais ou cuidadores foi, aos poucos, internalizada. O seu cérebro, já predisposto a procurar o “errado”, aprendeu com os melhores professores quais eram exatamente as “falhas” que devia apontar em si mesmo.
Assim, a sua voz autocrítica tornou-se um eco poderoso das vozes que um dia foram externas, fundido com um mecanismo de sobrevivência ancestral. É por isso que ela parece tão real.
A parceria perigosa: Como a ansiedade alimenta o seu Crítico interno
Se a autocrítica é a faísca, a ansiedade é a gasolina. Elas vivem num ciclo vicioso que se retroalimenta.
Funciona assim: a ansiedade faz com que a sua mente imagine os piores cenários. O seu crítico interno pega nesses cenários catastróficos e usa-os como “provas” da sua incompetência (“Viu? você falhou de novo! Eu sabia que isso ia acontecer”). Esta crítica aumenta a sua sensação de medo e inadequação, o que, por sua vez, aumenta a sua ansiedade. A ansiedade intensificada fornece ainda mais combustível para o crítico.
É por isso que parece uma força tão esmagadora e impossível de parar. Mas nós não vamos tentar pará-la com força. Vamos usar a sabedoria.
O Primeiro passo para a paz: Criando uma distância degura (Uma ferramenta de mindfulness)
A única forma de enfraquecer esta voz não é lutar contra ela, mas sim observá-la sem acreditar nela. É criar um pequeno espaço entre si e os seus pensamentos. E para isso, vamos usar uma técnica de Mindfulness simples e transformadora que chamo de “nomear o inimigo”.
- Note a voz: No momento em que você perceber a autocrítica começando (“Eu sou tão burra”, “Eu nunca vou conseguir”), pare por um instante. Apenas note a sua presença.
- Nomeie o inimigo (com gentileza): Em vez de se fundir com o pensamento, dê-lhe um nome. Diga silenciosamente para si mesma: “Ah, olá. É a voz da autocrítica aparecendo.” ou “Estou tendo um pensamento de autocrítica agora.” ou até “O meu cérebro está fazendo aquela coisa de se preocupar de novo.”
- Respire fundo: Respire fundo uma vez, como se estivesse criando espaço físico dentro de você. Ao expirar, imagine o pensamento flutuando para longe, como uma nuvem no céu. Você não o expulsa; você apenas o deixa ir.
- Redirecione a atenção: Traga a sua atenção de volta para o momento presente. Para a sensação dos seus pés no chão, para o som do teclado, para o sabor do seu café.
O objetivo aqui não é que a voz desapareça para sempre. É que você perceba que você é o céu, e os pensamentos de autocrítica são apenas nuvens passando. Você é muito maior do que eles.
Silenciar a autocrítica não é um evento, é uma prática. É como treinar um músculo novo. No início, parece estranho e difícil, mas a cada vez que você pratica “Nomear o inimigo”, você enfraquece o hábito antigo e fortalece um novo caminho neural de autocompaixão e paz.
Essa voz na sua cabeça não é você. É apenas uma parte de si que está tentando, de uma forma muito desajeitada, te manter segura. Hoje, você aprendeu a olhá-la com novos olhos e deu o primeiro passo para lhe tirar o poder.
E isso, minha querida, é o começo de tudo.
Esta jornada de transformar a nossa relação com a nossa mente é o coração do meu trabalho. Se este artigo ressoou contigo e você sente que está na hora de ter um guia ao seu lado neste caminho, te convido a conhecer mais sobre a terapia individual. Juntas, podemos ir ainda mais fundo.
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