Peito apertado. Coração acelerado. Mãos suando. Aquele zumbido constante na mente que te diz que algo ruim está prestes a acontecer. Você olha ao redor… mas não há nenhum perigo real.
Você conhece essa sensação?
Muitos de nós vivemos em estado de alerta máximo, tratando a ansiedade como um inimigo que vem de fora. Mas e se eu te dissesse que, para muitas de nós, o perigo não está do lado de fora? Ele está do lado de dentro.
Eu sou Maressa, psicóloga, e por anos eu vivi na pele os resultados de uma ansiedade extrema que me levou ao burnout. E o que eu descobri, em mim e nas mulheres que eu ajudo, é que muitas vezes a ansiedade é apenas o sintoma. A raiz… é uma voz.
Aquela voz que eu chamo de “A Megera Interna”.
Se você se sente constantemente ansiosa, mesmo quando tudo parece estar “bem”, este texto vai te trazer a CLAREZA que você precisa. Vamos entender como a sua autocrítica severa pode ser a fonte da sua ansiedade e como identificar os sinais de que isso está acontecendo.
O alarme de incêndio que dispara sozinho
Primeiro, precisamos de estrutura para entender. Pense na ansiedade como o alarme de incêndio do seu corpo. É um sistema de ameaça brilhante, desenhado para te salvar de um perigo real.
Agora, pense na sua autocrítica – aquela voz que diz: “Você não é boa o suficiente”, “Você vai falhar”, “Você é inadequada”.
O que a neurociência nos mostra é fascinante: o seu cérebro não diferencia com facilidade uma ameaça externa (um leão te atacando) de uma ameaça interna (você se atacando).
Estudos de neuroimagem mostram que a autocrítica ativa as mesmas redes de ameaça no cérebro, como a amígdala, que um perigo real ativaria.
O que isso significa?
Significa que cada vez que você se critica, você está disparando o alarme de incêndio. Você está dizendo ao seu corpo: “ESTAMOS SOB ATAQUE”.
Seu corpo, então, obedece. Ele te inunda de cortisol e adrenalina, preparando você para lutar ou fugir… de você mesma. Quando isso acontece cronicamente, o resultado não é segurança. É ansiedade crônica. A autocrítica é o que chamamos na psicologia de vulnerabilidade transdiagnóstica – ela é uma raiz que pode gerar não só ansiedade, mas depressão e exaustão.
O espiral da falsa proteção
Eu sei como é viver nesse espiral mental. Eu cresci em um ambiente que, sem intenção, me ensinou que meu valor era condicional. Eu aprendi a me esforçar ao máximo para ser amada ou boa o suficiente.
Essa voz crítica, para mim, parecia uma proteção. “Se eu for dura comigo mesma primeiro, eu vou performar melhor e ninguém vai me rejeitar.”
Mas essa “proteção” me adoeceu. E talvez ela esteja fazendo o mesmo com você.
3 sinais de que sua ansiedade é, na verdade, autocrítica
Como saber se a sua ansiedade vem dessa raiz? Aqui estão 3 sinais claros:
1. O Foco dos Seus “E se…?”
Preste atenção na linguagem da sua ansiedade. Uma ansiedade generalizada muitas vezes foca em eventos externos e impessoais: “E se o avião cair?”, “E se acontecer um desastre?”.
Mas a ansiedade enraizada na autocrítica é pessoal. Ela foca no seu desempenho e no seu valor.
Os seus “E se…?” soam mais como:
- “E se eu não der conta?”
- “E se eles acharem que eu sou uma fraude?”
- “E se eu falhar e decepcionar todo mundo?”
Percebe a diferença? O medo não é do evento. O medo é de você não ser suficiente para o evento.
2. Sua Reação ao Erro
Esse é decisivo. Quando você comete um erro pequeno – manda um e-mail errado, queima o arroz, fala algo “errado” numa reunião – o que acontece dentro de você?
Uma reação saudável é: “Puxa, eu cometi um erro. Vou consertar.” O foco está no comportamento.
Uma reação autocrítica é: “Eu sou um erro. Eu sou uma farsa. Eu sou burra.” O foco ataca a sua identidade.
Se um pequeno erro te joga em horas ou dias de ruminação, repassando a cena, sentindo vergonha… isso é um sinal claro de que a sua “megera interna” está no comando, e ela usa a ansiedade como chicote para te punir pelo “crime” de não ser perfeita.
3. Você se Sente “Ligada na Tomada”, Mesmo em Repouso
Você está em casa, no sofá, tentando ver um filme. Não há nada para fazer, nenhum perigo real. E mesmo assim, você está inquieta. Você se sente “ligada”, exausta, mas incapaz de relaxar.
Por quê? Porque a autocrítica não tira férias.
Se a ameaça é externa, você relaxa quando chega em casa. Mas se a ameaça é interna, você nunca está segura. A “megera” está sempre lá, na sua mente, usando o silêncio para te lembrar das suas falhas, de como você deveria estar “fazendo mais”.
Esse estado de alerta constante foi o meu caminho direto para o burnout. É o seu corpo gritando que não aguenta mais ser o seu próprio inimigo.
O caminho da clareza: do ataque à autocompaixão
Ok, Maressa, eu me identifiquei. E agora?
A solução não é atacar essa voz. Lembre-se, ela é um mecanismo de proteção antigo que aprendeu errado. Não lutamos contra ela com mais violência. Nós a curamos com CLAREZA.
Passo 1: Dê um nome a ela. O primeiro ato de coragem é a separação. Eu chamo a minha de “A Megera”. Quando você dá um nome, você deixa de ser a voz e passa a ouvir a voz. Você cria um espaço entre o seu “Eu” real e o crítico.
Passo 2: Troque a Crítica pela Autocompaixão. A raiz de grande parte da nossa ansiedade não é o medo do futuro. É uma falta de segurança no presente, causada por uma voz interna que repete as feridas do passado.
Quebrar esse ciclo não é sobre lutar com mais força. É sobre aprender, finalmente, a se tratar melhor.
Comece perguntando: “O que eu diria a uma amiga querida que estivesse sentindo exatamente o que eu sinto agora?” E então, ouse dizer essas palavras para você mesma.
Esse é o começo do caminho para encontrar o tesouro que você é, debaixo do entulho da autocrítica.
Se você sente que está pronta para parar de lutar sozinha, pronta para desarmar essa “megera” e finalmente se tratar com mais amor e gentileza, acesse o link acima “terapia individual” e conheça mais de perto como o meu trabalho pode te ajudar nisso.
Obrigada por estar aqui. Lembre-se: o primeiro passo para silenciar a crítica é começar a se tratar com gentileza.